Das muitas coisas loucas com que sonho, noite dessas sonhei que era perseguido por um maluco com uma metralhadora igual a do Rambo. E eu tentava escapar no meio do transito de uma cidade apocalíptica. Lembrei disso porque me dei conta de que a vida tem sido assim, metralhando informações e conceitos sem o menos pudor sobre nossos olhos e ouvidos indefesos. E quase tudo, enlatado e pronto para o consumo, temperado com muito Pré Conceito.
Podemos dizer que a culpa disso tudo é da mídia, mas seria simplista demais. Não seria exagero generalizar dizendo que todo mundo quer ser um pouquinho formador de opinião. Desde o cara que publica vídeos engraçados no youtube, até o cara que escreve crônicas pra um blog de nome estranho, toda segunda feira. Todos querem super valorizar esse quinhão de idéia que acreditam ser capaz de revolucionar o mundo. Muito bem, muito bom... Não fosse a nossa inegável mania de forçar a barra com conceitos pré fabricados.
Recentemente estive na Argentina e pude comprovar algo que já havia percebido nas outras vezes que estive lá. É inegável a gentileza e a riqueza no tratamento deles para com os brasileiros. E isso me deixa profundamente envergonhado, pelo tratamento grosseiro e preconceituoso que os brasileiros têm com os hermanos. Rivalidade é difícil de explicar e o futebol é algo muito ligado a isso, a rivalidade das equipes, das torcidas. Brasil e Argentina representam um pouco disso sem duvidas. A rivalidade histórica que vai muito alem do futebol, mas como pouca gente sabe de historia, acaba ficando só com a parte do circo, só com a metáfora lúdica.
Mas então, se os hermanos são tão gentis, de onde surgiu essa eterna propaganda de que eles nos odeiam..? Honestamente, não sei, mas ela continua sendo metralhada por todos os lados. E até mesmo quem nunca conheceu um argentino, aceita essa idéia sem nenhum critério.
E estes preconceitos não precisam necessariamente sair das fronteiras do pais. Pois existe também uma idéia errada de quem os gaúchos não gostam dos nordestinos, e que os nordestinos não gostam dos gaúchos. Existe uma idéia equivocada de que os cariocas são todos malandros e que os bahianos são todos preguiçosos. Como se latitude e longitude ou a posição geográfica definisse o caráter das pessoas. Uma imensa bobagem que é vendida, comprada e por fim adotada como regra universal, sem sequer cogitar a possibilidade de engano.
Estive duas vezes em São Paulo este ano e nas duas oportunidades fui passado pra trás pelos taxistas. Que alem de tirar minha grana, eram extremamente mal educados. Curioso, mas nunca tive problemas em nenhuma das vezes em que estive na Argentina. Engraçado, como tenho tantos amigos nordestinos quanto tenho amigos gaúchos. Engraçado como os cariocas que conheço, tem um coração enorme. Engraçado também como, os mesmos amigos paulistas, sempre passam apertos entre os próprios paulistas. E que quem assalta o curitibano, é o próprio curitibano...
Enfim, onde está o erro nesse preconceito todo.???
Vamos jogar então toda culpa na mídia, e deixar que esse preconceito crie raízes. E depois de enraizado, vamos usar esse nosso pequeno espaço como "formadores de opinião", pra metralhar de olhos fechados todas essas idéias mesquinhas, todas essas teorias medonhas. Vamos lá, que essa metralhadora de merda, esta em nossas mãos. Ahhh, vale lembrar que nessa brincadeira, é impossível não se sujar.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Os Maias e as Boas Novas de 2012
Não sei responder quando começa o ano. Se nos primeiros segundos do dia 1º ou na manha que segue. Se no dia 2, 3 ou 4 ou no primeiro dia util. Aqui nessa terra de Cabral, dizem que o ano só começa depois do carnaval, e perdoem o trocadilho, mas tudo soa assim mesmo, uma grande bobagem sem muita graça.
E tudo segue como sempre. Os astrólogos inventando novas conjunções planetárias e interestelares, pra falar de milhões de novas teorias. E pragmáticos predizem o que será do próximo ano, como se fosse possível enxergar com clareza tudo que esta escondido sob a nevoa do futuro. Pré dizer é coisa que encanta muito o ser humano. Não é por nada que Nostradamus faz tanto sucesso, há tanto tempo. Acho que essa, nem ele próprio conseguiu imaginar. E assim todo misticismo envolvendo a troca do calendário, vira um grande mercado de adivinhações. Pai de santo, astrólogo, vidente, tarólogo, xamã, babalorixa, cabalistas, enfim, todo mundo chutando o que vai rolar no ano que nasce, claro, em troca de alguns trocados.
Na rotina diária entra um clima inevitável de festa, que se mistura ao espírito natalino. Que é cada vez mais impregnado de um espírito consumista. Mas essa eu também consigo prever, no próximo ano, seremos ainda mais consumistas, baby. E a parentada se junta e faz de conta que se gosta de verdade. Ficamos então tentando mensurar os sentimentos avaliando o valor do presente que vamos dar ou ganhar. Portanto, se você ganhou um pijama é porque não gostam tanto assim de ti. Mas se você foi o felizardo que ganhou a TV de plasma ou o Ipad, então é porque gostam pra caralho de ti.
No Réveillon começam a pipocar todos os tipos de superstições. E ninguém escapa de se meter numa roupinha branca, nem que seja só pra não destoar do resto do bando. E assim segue uma série de rituais que começam pela escolha da cor da cueca. Afinal, escolher a cor errada da cueca pode arruinar o teu ano todo. Então antes de cometer esse erro fatal, melhor seria não usar cueca. Fato é que ano pós ano desde que se inicia a fase pré adulta da vida, o primeiro dia de Janeiro, esse que no calendário é oficial, 01/01, quase sempre começa com a primeira ressaca do ano. Porque é no ultimo/primeiro dia do ano que se extravasa a tensão dos outros 364 dias passados. E é isso mesmo, final do ano é feito pra isso, pra cometer monumentais exageros. Muita comida, muita bebida e muita grana gasta sem precaução. Nessas horas exageramos até em otimismo, até os pessimistas crônicos conseguem ter alguma esperança de dias melhores.
E esse ciclo segue, sem muitas alterações.
Ops... Perai. No próximo ano não teremos natal, e nem Réveillon. Sim, os Maias, que também gostavam de fazer uma fézinha e apostar no futuro, e que não tinham nada a ver com a economia interna do Pólo Norte. Disseram que o mundo acaba dia 21 de Dezembro desse 2012. Ou seja, sem Natal esse ano. Enfim uma boa noticia...
E tudo segue como sempre. Os astrólogos inventando novas conjunções planetárias e interestelares, pra falar de milhões de novas teorias. E pragmáticos predizem o que será do próximo ano, como se fosse possível enxergar com clareza tudo que esta escondido sob a nevoa do futuro. Pré dizer é coisa que encanta muito o ser humano. Não é por nada que Nostradamus faz tanto sucesso, há tanto tempo. Acho que essa, nem ele próprio conseguiu imaginar. E assim todo misticismo envolvendo a troca do calendário, vira um grande mercado de adivinhações. Pai de santo, astrólogo, vidente, tarólogo, xamã, babalorixa, cabalistas, enfim, todo mundo chutando o que vai rolar no ano que nasce, claro, em troca de alguns trocados.
Na rotina diária entra um clima inevitável de festa, que se mistura ao espírito natalino. Que é cada vez mais impregnado de um espírito consumista. Mas essa eu também consigo prever, no próximo ano, seremos ainda mais consumistas, baby. E a parentada se junta e faz de conta que se gosta de verdade. Ficamos então tentando mensurar os sentimentos avaliando o valor do presente que vamos dar ou ganhar. Portanto, se você ganhou um pijama é porque não gostam tanto assim de ti. Mas se você foi o felizardo que ganhou a TV de plasma ou o Ipad, então é porque gostam pra caralho de ti.
No Réveillon começam a pipocar todos os tipos de superstições. E ninguém escapa de se meter numa roupinha branca, nem que seja só pra não destoar do resto do bando. E assim segue uma série de rituais que começam pela escolha da cor da cueca. Afinal, escolher a cor errada da cueca pode arruinar o teu ano todo. Então antes de cometer esse erro fatal, melhor seria não usar cueca. Fato é que ano pós ano desde que se inicia a fase pré adulta da vida, o primeiro dia de Janeiro, esse que no calendário é oficial, 01/01, quase sempre começa com a primeira ressaca do ano. Porque é no ultimo/primeiro dia do ano que se extravasa a tensão dos outros 364 dias passados. E é isso mesmo, final do ano é feito pra isso, pra cometer monumentais exageros. Muita comida, muita bebida e muita grana gasta sem precaução. Nessas horas exageramos até em otimismo, até os pessimistas crônicos conseguem ter alguma esperança de dias melhores.
E esse ciclo segue, sem muitas alterações.
Ops... Perai. No próximo ano não teremos natal, e nem Réveillon. Sim, os Maias, que também gostavam de fazer uma fézinha e apostar no futuro, e que não tinham nada a ver com a economia interna do Pólo Norte. Disseram que o mundo acaba dia 21 de Dezembro desse 2012. Ou seja, sem Natal esse ano. Enfim uma boa noticia...
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Trocando uma Idéia com Maquiavel
Entre um e outro devaneio, uma cuia de chimarrão. A memória falha pelo pessimismo e tento lembrar-me de coisas simples, dessas que já fizeram alguma diferença; Coisas que hoje ocupam algum lugar empoeirado na prateleira, ou em algum cantinho escuro da memória. É engraçado como as lembranças vão se acumulando desordenadas em nosso arquivo mental e mesmo empoeiradas e esquecidas, influenciam nossa vida.
Tudo isso acaba moldando nosso caráter. Apesar da ciência tentar atribuir isso às hereditariedades genéticas, não acredito que caráter seja uma informação latente ao DNA do individuo. Não acredito que as pessoas nasçam boas ou más. Quem faz isso, quem molda essa argila é a vida. Se a física diz que toda ação resulta uma reação, a vida também reflete isso nas pessoas. Mas a vida nunca foi e nem nunca será ciência exata. Das certezas que temos, quem sabe a morte. E ainda assim, da certeza sobre as certezas que temos, ainda questionamos se é possível ir alem da morte.
Entendo onde Maquiavel queria chegar quando disse que é melhor ser temido, que amado. Alimentei inconscientemente essa pratica durante muitos anos. E em algumas situações isso funcionou realmente, pelo ponto de segurança que se cria. Mas o cotidiano vai quebrando a rigidez dos nossos nervos de aço. Ninguém é absolutamente forte pra manter essa armadura espinhosa o tempo todo. E até mesmo eu que sempre me fechei na segurança do casulo, percebi que o mesmo casulo que afasta o perigo, afasta também o afago. Hoje acredito em uma trindade regida basicamente pelo Respeito.
Não quero ser amado por fé cega. Acho muita responsabilidade vestir uma roupa de herói afim de defender os oprimidos. Mesmo que durante anos esse tenha sido meu maior desejo. No fundo colocar-se nessa condição de herói protetor é só reflexo da necessidade de proteção. É quase um apelo de quem se sente tão frágil que precisa acreditar ter força de salvar o mundo, pra assim, salvar a própria pele.
Nunca salvei ninguém, nem a mim mesmo. E acho justo que alimentem ódios e rancores contra mim. Sempre fui humano a ponto de enlouquecer sem me importar com a imagem arranhada. Imagem mais que arranhada é a minha. Aos que alimentam algum ódio por mim, exijo apenas um bom motivo. E pra isso me encarrego de garantir que motivos não faltarão. E ainda assim com um bom motivo, em reciprocidade peço como gesto de cavalheirismo, que respeitem minha condição de humano errante, de caráter duvidoso, de qualidades e defeitos expostos feito carne crua.
No fundo nunca pensei em ser temido, nunca me agradou fazer esse tipo bad boy. Apesar da aparência sempre ter sido favorável, e da minha timidez só aumentar esse mito. Ainda hoje me pergunto se alguém realmente faz idéia de quem é o homem atrás da armadura, quem é a criança escondida no casulo. Mas isso pouco importa, quando as feridas começam a sangrar o seguro é fazer sangrar também quem as causou.
Eu não sei exatamente quem eu sou e se mereço ser temido ou amado. Não acredito que alguém possa responder essa pergunta sem antes ter estado nos mesmos lugares que eu. Ter tido os mesmos sonhos e os diversos pesadelos. Enfim, todos esses caminhos e vivencias que moldaram a ferro e fogo, uma criatura tão estranha. E a sobrevivência de estranhas criaturas depende da infalível capacidade de se isolar, de se esconder e fugir.
Tudo isso acaba moldando nosso caráter. Apesar da ciência tentar atribuir isso às hereditariedades genéticas, não acredito que caráter seja uma informação latente ao DNA do individuo. Não acredito que as pessoas nasçam boas ou más. Quem faz isso, quem molda essa argila é a vida. Se a física diz que toda ação resulta uma reação, a vida também reflete isso nas pessoas. Mas a vida nunca foi e nem nunca será ciência exata. Das certezas que temos, quem sabe a morte. E ainda assim, da certeza sobre as certezas que temos, ainda questionamos se é possível ir alem da morte.
Entendo onde Maquiavel queria chegar quando disse que é melhor ser temido, que amado. Alimentei inconscientemente essa pratica durante muitos anos. E em algumas situações isso funcionou realmente, pelo ponto de segurança que se cria. Mas o cotidiano vai quebrando a rigidez dos nossos nervos de aço. Ninguém é absolutamente forte pra manter essa armadura espinhosa o tempo todo. E até mesmo eu que sempre me fechei na segurança do casulo, percebi que o mesmo casulo que afasta o perigo, afasta também o afago. Hoje acredito em uma trindade regida basicamente pelo Respeito.
Não quero ser amado por fé cega. Acho muita responsabilidade vestir uma roupa de herói afim de defender os oprimidos. Mesmo que durante anos esse tenha sido meu maior desejo. No fundo colocar-se nessa condição de herói protetor é só reflexo da necessidade de proteção. É quase um apelo de quem se sente tão frágil que precisa acreditar ter força de salvar o mundo, pra assim, salvar a própria pele.
Nunca salvei ninguém, nem a mim mesmo. E acho justo que alimentem ódios e rancores contra mim. Sempre fui humano a ponto de enlouquecer sem me importar com a imagem arranhada. Imagem mais que arranhada é a minha. Aos que alimentam algum ódio por mim, exijo apenas um bom motivo. E pra isso me encarrego de garantir que motivos não faltarão. E ainda assim com um bom motivo, em reciprocidade peço como gesto de cavalheirismo, que respeitem minha condição de humano errante, de caráter duvidoso, de qualidades e defeitos expostos feito carne crua.
No fundo nunca pensei em ser temido, nunca me agradou fazer esse tipo bad boy. Apesar da aparência sempre ter sido favorável, e da minha timidez só aumentar esse mito. Ainda hoje me pergunto se alguém realmente faz idéia de quem é o homem atrás da armadura, quem é a criança escondida no casulo. Mas isso pouco importa, quando as feridas começam a sangrar o seguro é fazer sangrar também quem as causou.
Eu não sei exatamente quem eu sou e se mereço ser temido ou amado. Não acredito que alguém possa responder essa pergunta sem antes ter estado nos mesmos lugares que eu. Ter tido os mesmos sonhos e os diversos pesadelos. Enfim, todos esses caminhos e vivencias que moldaram a ferro e fogo, uma criatura tão estranha. E a sobrevivência de estranhas criaturas depende da infalível capacidade de se isolar, de se esconder e fugir.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
De Volta ao Casulo...
Quem tem verdadeiramente consciência/capacidade de admitir os próprios erros..??? Quem entre nós; Eu, você e aqueles ali do outro lado da rua. Quem verdadeiramente consegue aceitar que é frágil e ingênuo diante dos próprios defeitos.???
Eu queria muito ser assim.
Tenho poucos vícios, assim como tenho poucos amigos. A intensidade sempre foi mais importante que qualquer outra coisa. Por isso afirmo que tenho os melhores amigos e tenho também os mais destrutivos vícios. Meus amigos também têm vícios que certamente vão alem dos vícios de linguagem, e essa característica de sermos humanos e imperfeitos nos aproxima ainda mais. Se sou careta pras chamadas drogas ilícitas, sempre tive um orgulho que beira a ignorância. Orgulho que foi construído pela minha geração de jovens alcoólatras.
Há muitos anos brigo com uma sina quase genética de procurar a melhor companhia, entre meus mais cruéis inimigos. Buscar o isolamento nos dias tristes é como agarrar-se a uma ancora, para salvar-se do naufrágio. Buscar conforto em um bom copo de uísque é a mais patética das fugas. Aquela ilusão nítida e cristalina de liberdade, que na verdade só faz encolher nossa própria jaula. Dizem que a gravidade de um vicio esta na frequencia com que ele coloca em risco as atividades do cotidiano. Eu diria que tambem está na frequencia com que coloca em xeque o nosso carater.
Meus amigos e vícios são responsáveis por grande parte das boas lembranças que tenho na vida. Eles muitas vezes me fizeram ter coragem de dar um passo adiante, ou de recuar quando era o mais sensato. Meus amigos sempre estiveram comigo nos momentos em que eu mais precisei, mesmo que fosse dando a liberdade de escolher o isolamento. Meus amigos, pessoas comuns, que assim como eu tem tantos vícios e defeitos. Amigos que, de fato não sei se mereço.
Meus vícios sempre potencializaram o talento incrível que tenho pra foder com tudo. E se estou escrevendo crônicas hoje, é mais por sorte do que por ter feito boas escolhas.
Mas antes que eu repita isso mais uma vez, e consciente que algumas decisões só chegam tarde demais. Preciso fazer valer esse pouco de caráter que tenho. Apesar de não ter autoestima suficiente pra superar todos os meus defeitos e vícios, há uma encruzilhada vital a minha frente e preciso escolher um caminho. E todos levam a uma grande peleja.
Eu queria muito ser assim.
Tenho poucos vícios, assim como tenho poucos amigos. A intensidade sempre foi mais importante que qualquer outra coisa. Por isso afirmo que tenho os melhores amigos e tenho também os mais destrutivos vícios. Meus amigos também têm vícios que certamente vão alem dos vícios de linguagem, e essa característica de sermos humanos e imperfeitos nos aproxima ainda mais. Se sou careta pras chamadas drogas ilícitas, sempre tive um orgulho que beira a ignorância. Orgulho que foi construído pela minha geração de jovens alcoólatras.
Há muitos anos brigo com uma sina quase genética de procurar a melhor companhia, entre meus mais cruéis inimigos. Buscar o isolamento nos dias tristes é como agarrar-se a uma ancora, para salvar-se do naufrágio. Buscar conforto em um bom copo de uísque é a mais patética das fugas. Aquela ilusão nítida e cristalina de liberdade, que na verdade só faz encolher nossa própria jaula. Dizem que a gravidade de um vicio esta na frequencia com que ele coloca em risco as atividades do cotidiano. Eu diria que tambem está na frequencia com que coloca em xeque o nosso carater.
Meus amigos e vícios são responsáveis por grande parte das boas lembranças que tenho na vida. Eles muitas vezes me fizeram ter coragem de dar um passo adiante, ou de recuar quando era o mais sensato. Meus amigos sempre estiveram comigo nos momentos em que eu mais precisei, mesmo que fosse dando a liberdade de escolher o isolamento. Meus amigos, pessoas comuns, que assim como eu tem tantos vícios e defeitos. Amigos que, de fato não sei se mereço.
Meus vícios sempre potencializaram o talento incrível que tenho pra foder com tudo. E se estou escrevendo crônicas hoje, é mais por sorte do que por ter feito boas escolhas.
Mas antes que eu repita isso mais uma vez, e consciente que algumas decisões só chegam tarde demais. Preciso fazer valer esse pouco de caráter que tenho. Apesar de não ter autoestima suficiente pra superar todos os meus defeitos e vícios, há uma encruzilhada vital a minha frente e preciso escolher um caminho. E todos levam a uma grande peleja.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Crônica Anunciada: Muito Alem do Genero...
Para os que preferem a ciência, escreverei sobre o gênero feminino da espécie dos Homo sapiens. Biologicamente cromossomos XX. Assim como as demais criaturas sexuadas, Fêmea; Responsável por produzir gametas femininos e ser o "receptáculo" para a gestação dos filhotes da espécie. Antropologicamente, responsável pela coleta de alimento, pela criação e alimentação da prole. E pelo constante (incessante) enlouquecimento dos machos da espécie.
Mas há quem prefira outra abordagem. Então biblicamente ...
Concebida da costela de um certo boneco de barro chamado Adão. Responsável pela decadência desse mesmo homem, levando com suas voluptuosas formas que Adão caísse na tentação da libertinagem. Infantilmente metaforizada por uma serpente malvada e por uma suculenta maça. Talvez por essa culpa capital, fruto de uma lenga lenga sem fim chamada religião, seja historicamente subjugada como criatura inferior, e até mesmo com capacidade intelectual duvidosa. Já que do ponto de vista religioso, sempre teve um papel secundário ou até mesmo conflituoso.
Historicamente subjugada sem o menor constrangimento. Seja como moeda de troca entre beduínos nômades ou nobres ingleses. Queimada em fogueiras pela inquisição de uma igreja machista e sexista. Impura pela genética de um ciclo menstrual, pecadora por elevar a libido dos homens, e assim, levá-los a cometer loucuras "não inerentes" ao seu caráter.
Em uma crônica, na maioria das vezes, não consigo separar o que é didático do que é lúdico. Mesmo que o tema tenha mais peso pra um ou outro lado na gangorra. Sempre acabo misturando tudo, ironizando o que é didático e exagerando o que é lúdico. Quando aceitei a doce sugestão de escrever sobre um tema tão amplo, tentei imaginar como seria começar a trama dessa conversa. E havia uma idéia que ficava sempre muito clara. "Mulher é algo que vai muito alem do gênero". Ciência e religião são pragmáticos em suas abordagens, e isso deixa toda definição muito extrema. E todo extremismo é patético.
Talvez o melhor seja uma mistura romantizada de tudo que ciência e religião nos impõe. A genética progenitora, protetora ainda que frágil. Essa capacidade de ser mãe, de uma força transbordante, e ser filha, de ternura e graça. A capacidade enlouquecedora de ser a tempestade e ao mesmo tempo ser o melhor abrigo. Ao caralho então, ciência e religião com suas prolixas verdades absolutas. Pois verdadeiramente o único que consegue definir a mulher, é o poeta.
Mas há quem prefira outra abordagem. Então biblicamente ...
Concebida da costela de um certo boneco de barro chamado Adão. Responsável pela decadência desse mesmo homem, levando com suas voluptuosas formas que Adão caísse na tentação da libertinagem. Infantilmente metaforizada por uma serpente malvada e por uma suculenta maça. Talvez por essa culpa capital, fruto de uma lenga lenga sem fim chamada religião, seja historicamente subjugada como criatura inferior, e até mesmo com capacidade intelectual duvidosa. Já que do ponto de vista religioso, sempre teve um papel secundário ou até mesmo conflituoso.
Historicamente subjugada sem o menor constrangimento. Seja como moeda de troca entre beduínos nômades ou nobres ingleses. Queimada em fogueiras pela inquisição de uma igreja machista e sexista. Impura pela genética de um ciclo menstrual, pecadora por elevar a libido dos homens, e assim, levá-los a cometer loucuras "não inerentes" ao seu caráter.
Em uma crônica, na maioria das vezes, não consigo separar o que é didático do que é lúdico. Mesmo que o tema tenha mais peso pra um ou outro lado na gangorra. Sempre acabo misturando tudo, ironizando o que é didático e exagerando o que é lúdico. Quando aceitei a doce sugestão de escrever sobre um tema tão amplo, tentei imaginar como seria começar a trama dessa conversa. E havia uma idéia que ficava sempre muito clara. "Mulher é algo que vai muito alem do gênero". Ciência e religião são pragmáticos em suas abordagens, e isso deixa toda definição muito extrema. E todo extremismo é patético.
Talvez o melhor seja uma mistura romantizada de tudo que ciência e religião nos impõe. A genética progenitora, protetora ainda que frágil. Essa capacidade de ser mãe, de uma força transbordante, e ser filha, de ternura e graça. A capacidade enlouquecedora de ser a tempestade e ao mesmo tempo ser o melhor abrigo. Ao caralho então, ciência e religião com suas prolixas verdades absolutas. Pois verdadeiramente o único que consegue definir a mulher, é o poeta.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Circulo Vicioso das Coleiras
Há algum tempo presenciei algo que me chamou a atenção. Pelo corredor de um hotelzinho de interior, vi um pai passeando com o filho. Cena corriqueira e bonita, não fosse o gurizinho estar preso por uma coleira. Um tanto quanto assustador pra um cara que até pouco tempo vivia feliz da vida nos confins do interior também. A coleira consistia em uma cordinha amarrada ao pulso do pai e ao pulso do filho. Que pelo tamanho devia ter bem uns quatro anos. Não quero julgar o protecionismo do pai ou a hiperatividade do filho. Nem quero calcular a selvageria que o moleque pudesse causar, colocando em risco outras pessoas. Conheço umas crianças que ficariam muito bem de focinheira, pra evitar maiores danos. Mas o fato é que a cena pareceu pitoresca demais pra mim.
O problema enfim não era a coleira, a focinheira ou a camisa de força. Que seria um caminho natural na sucessão de poder do dominante sobre o dominado. Fato é que no meio do caminho da historia realmente alguém despirocou nessa parada de super proteção. Seja censurando filmes ou vídeo games violentos, seja nessa onda de brinquedos super seguros. Inventaram uma liberdade de expressão para as crianças, que não reflete nenhuma liberdade de ação. Estamos criando uma geração de bonecas de louça incapazes de reagir, interagir e principalmente defender-se de forma natural.
Acredite, o mundo é um lugar perigoso. Sempre foi e sempre será. Por isso tenho algum respeito quanto à coleira do pai com o filho.
Mas vou contar agora outra historinha, essa, bem inusitada também. Há muitos anos eu namorava uma guria deveras ciumenta. Ciúme ingrato, porque sempre fui um cara careta demais pra merecer todas aquelas desconfianças. Certa vez num dos poucos momento de paz, ela me acusou, falando de um nome que eu desconhecia. Lembro bem, Áurea e um telefone. O papelzinho com nome e telefone tava dentro da minha carteira, dobradinho em algum canto. A briga foi grande e eu me neguei a explicar que Áurea era a pessoa de quem tinha comprado o presente de aniversário dela, pela internet. Que o numero de telefone era na verdade um Fax pra onde eu tinha mandado um comprovante de deposito. Não expliquei, como ela não explicaria o porquê de ter ido bisbilhotar nas minhas coisas, na minha carteira.
Enfim, liberdade não é algo pra tirar de alguém que se ama. O pai tira a liberdade do filho com uma coleira e o cara cresce acreditando que quem ama é a pessoa que ta do outro lado da coleira. E assim quer colocar coleiras nas pessoas que ama, e aceita as coleiras que lhe são colocadas "por amor". Criando um circulo vicioso de poder baseado tão erroneamente, num sentimento que não é de posse, não é de domínio. Privacidade é coisa de quem nasce sozinho, Um ovulo, um espermatozóide, um útero. Um ser humano, com uma alma (pra quem acredita), um cérebro (mesmo quem não usa tem um) e uma história de vida. Liberdade é o que temos de mais valioso, não fosse assim, já nasceríamos com coleiras e algemas. Privacidade é ter a liberdade de ser o que quiser ser, sem o julgamento de quem se acha no direito de lhe reprimir, de lhe monitorar ou controlar.
Eu acredito realmente que as pessoas precisam de um pouco mais de liberdade (dar liberdade e receber liberdade). Menos coleiras e mais portas, dessas que se possa decidir quando abrir e quando fechar, quem entra e quem sai das nossas intimidades. Quem nasce e cresce sozinho, acostuma e sabe que isso não muda nunca. Se autoconhecimento é importante, é mais importante ainda ser sua própria melhor companhia. Pra quem não tem fé em divindades, estar sozinho é como fazer uma oração. O encontro com o que se tem de melhor e pior, o confronto da consciência, a peleja da razão com a emoção. Enfim, é parte fundamental da vida.
Portanto, das tantas bobagens que escrevo, e ironicamente busco privacidade publicando crônicas na internet. Por favor, percebam o lado lúdico de tudo isso, que todo poema tem uma metáfora mais forte que nossa pseudo capacidade de entender tudo. Que há muito mais ficção nas crônicas, no amontoado de palavras, que há de fato na vida. Mas que privacidade é tão importante pra mim quanto um copo de uma boa cerveja. "Tira-me o pão, o ar se quiseres, só não tire minha privacidade, sem ela eu morreria."
O problema enfim não era a coleira, a focinheira ou a camisa de força. Que seria um caminho natural na sucessão de poder do dominante sobre o dominado. Fato é que no meio do caminho da historia realmente alguém despirocou nessa parada de super proteção. Seja censurando filmes ou vídeo games violentos, seja nessa onda de brinquedos super seguros. Inventaram uma liberdade de expressão para as crianças, que não reflete nenhuma liberdade de ação. Estamos criando uma geração de bonecas de louça incapazes de reagir, interagir e principalmente defender-se de forma natural.
Acredite, o mundo é um lugar perigoso. Sempre foi e sempre será. Por isso tenho algum respeito quanto à coleira do pai com o filho.
Mas vou contar agora outra historinha, essa, bem inusitada também. Há muitos anos eu namorava uma guria deveras ciumenta. Ciúme ingrato, porque sempre fui um cara careta demais pra merecer todas aquelas desconfianças. Certa vez num dos poucos momento de paz, ela me acusou, falando de um nome que eu desconhecia. Lembro bem, Áurea e um telefone. O papelzinho com nome e telefone tava dentro da minha carteira, dobradinho em algum canto. A briga foi grande e eu me neguei a explicar que Áurea era a pessoa de quem tinha comprado o presente de aniversário dela, pela internet. Que o numero de telefone era na verdade um Fax pra onde eu tinha mandado um comprovante de deposito. Não expliquei, como ela não explicaria o porquê de ter ido bisbilhotar nas minhas coisas, na minha carteira.
Enfim, liberdade não é algo pra tirar de alguém que se ama. O pai tira a liberdade do filho com uma coleira e o cara cresce acreditando que quem ama é a pessoa que ta do outro lado da coleira. E assim quer colocar coleiras nas pessoas que ama, e aceita as coleiras que lhe são colocadas "por amor". Criando um circulo vicioso de poder baseado tão erroneamente, num sentimento que não é de posse, não é de domínio. Privacidade é coisa de quem nasce sozinho, Um ovulo, um espermatozóide, um útero. Um ser humano, com uma alma (pra quem acredita), um cérebro (mesmo quem não usa tem um) e uma história de vida. Liberdade é o que temos de mais valioso, não fosse assim, já nasceríamos com coleiras e algemas. Privacidade é ter a liberdade de ser o que quiser ser, sem o julgamento de quem se acha no direito de lhe reprimir, de lhe monitorar ou controlar.
Eu acredito realmente que as pessoas precisam de um pouco mais de liberdade (dar liberdade e receber liberdade). Menos coleiras e mais portas, dessas que se possa decidir quando abrir e quando fechar, quem entra e quem sai das nossas intimidades. Quem nasce e cresce sozinho, acostuma e sabe que isso não muda nunca. Se autoconhecimento é importante, é mais importante ainda ser sua própria melhor companhia. Pra quem não tem fé em divindades, estar sozinho é como fazer uma oração. O encontro com o que se tem de melhor e pior, o confronto da consciência, a peleja da razão com a emoção. Enfim, é parte fundamental da vida.
Portanto, das tantas bobagens que escrevo, e ironicamente busco privacidade publicando crônicas na internet. Por favor, percebam o lado lúdico de tudo isso, que todo poema tem uma metáfora mais forte que nossa pseudo capacidade de entender tudo. Que há muito mais ficção nas crônicas, no amontoado de palavras, que há de fato na vida. Mas que privacidade é tão importante pra mim quanto um copo de uma boa cerveja. "Tira-me o pão, o ar se quiseres, só não tire minha privacidade, sem ela eu morreria."
Dedicado a todos que chegaram aqui, bisbilhotando a vida de alguem que "ama".
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Evolução Humana - Sickness Society
Vivemos em tempos cada vez mais difíceis, ainda que digam que a sociedade esta em franco desenvolvimento. Dizem que isso é evolução; Curar doenças, conquistar a lua, Marte e o universo todo quem sabe. Dizem que em alguns anos a media de vida dos humanos será de 120 anos. Que teremos a cura de doenças que hoje sentenciam de morte nossos corpos frágeis e maltratados pelo ambiente hostil que criamos para viver.
Construímos prédios de concreto e aço armado que prometem tocar as nuvens. A liberdade de ter todo o céu ao nosso alcance, mas acabamos por fazer deles uma masmorra, a torre do castelo que nos aprisiona. Construímos carros cada vez mais velozes, mas incapazes de evitar um acidente. Carros bonitos e velozes incapazes de escapar de um engarrafamento de mais carros bonitos e velozes.
Há um verso da musica "Guitarra Y Vos" do Jorge Drexler que lembrei agora:
" Hay manos capaces de fabricar herramientas
Con las que se hacen máquinas para hacer ordenadores
Que a su vez diseñan máquinas que hacen herramientas
Para que las use la mano "
...Há mãos capazes de fazer ferramentas, Com essas que fazem máquinas para fazer computadores. Que por sua vez desenham máquinas que fazem ferramentas, Para que se usem as mãos...
O fim do controle do clero sobre o conhecimento cientifico e a ruptura definitiva entre e ciência e religião foram preponderantes para a evolução da humanidade. Mas até que ponto podemos chamar isso de evolução? O que diria Darwin de tudo isso, dessa nossa evolução às avessas. Onde nos tornamos cada vez mais frágeis e mais dependentes das estruturas que inventamos a fim de facilitar nossas vidas. Do homem pré histórico que começou a carregar consigo a ferramenta, ao invés de fazer uma sempre que necessário, aos dias de hoje em que, sem ferramenta tornamo-nos infantis, e incapazes. O quanto disso é verdadeiramente evolução?
E assim então, construímos maquinas complexas para tarefas simples. Substituímos a limitação da manufatura pela automatização de todos os processos possíveis. Não há duvidas que nossa intima intenção é de ter maquinas escravas, já que em tempo a escravização do ser humano passou a ser "politicamente incorreto". (Ter sido imoral nunca fez diferença). Temos nossos escravos modernos de aço e parafusos, de circuitos e processadores. E por fim nós é que acabamos escravos da nossa grande criação.
Vivemos em uma sociedade doente, isso é inegável até para os mais otimistas. Uma sociedade cada vez mais ligada às imposições materiais e consumistas. Vivemos em sociedade, ainda que isso signifique só usufruir das qualidades tecnológicas que a "sociedade" proporciona. Das relações humanas só nos interessa aquilo que, direta ou indiretamente nos coloque em vantagem. Que nos de algo de positivo. Não existe altruísmo de verdade, toda relação é feita de trocas de interesses, mesmo que esse interesse seja só o bem estar causado pela sensação de doação, desse elan rotulado de altruísmo.
Construímos prédios de concreto e aço armado que prometem tocar as nuvens. A liberdade de ter todo o céu ao nosso alcance, mas acabamos por fazer deles uma masmorra, a torre do castelo que nos aprisiona. Construímos carros cada vez mais velozes, mas incapazes de evitar um acidente. Carros bonitos e velozes incapazes de escapar de um engarrafamento de mais carros bonitos e velozes.
Há um verso da musica "Guitarra Y Vos" do Jorge Drexler que lembrei agora:
" Hay manos capaces de fabricar herramientas
Con las que se hacen máquinas para hacer ordenadores
Que a su vez diseñan máquinas que hacen herramientas
Para que las use la mano "
...Há mãos capazes de fazer ferramentas, Com essas que fazem máquinas para fazer computadores. Que por sua vez desenham máquinas que fazem ferramentas, Para que se usem as mãos...
O fim do controle do clero sobre o conhecimento cientifico e a ruptura definitiva entre e ciência e religião foram preponderantes para a evolução da humanidade. Mas até que ponto podemos chamar isso de evolução? O que diria Darwin de tudo isso, dessa nossa evolução às avessas. Onde nos tornamos cada vez mais frágeis e mais dependentes das estruturas que inventamos a fim de facilitar nossas vidas. Do homem pré histórico que começou a carregar consigo a ferramenta, ao invés de fazer uma sempre que necessário, aos dias de hoje em que, sem ferramenta tornamo-nos infantis, e incapazes. O quanto disso é verdadeiramente evolução?
E assim então, construímos maquinas complexas para tarefas simples. Substituímos a limitação da manufatura pela automatização de todos os processos possíveis. Não há duvidas que nossa intima intenção é de ter maquinas escravas, já que em tempo a escravização do ser humano passou a ser "politicamente incorreto". (Ter sido imoral nunca fez diferença). Temos nossos escravos modernos de aço e parafusos, de circuitos e processadores. E por fim nós é que acabamos escravos da nossa grande criação.
Vivemos em uma sociedade doente, isso é inegável até para os mais otimistas. Uma sociedade cada vez mais ligada às imposições materiais e consumistas. Vivemos em sociedade, ainda que isso signifique só usufruir das qualidades tecnológicas que a "sociedade" proporciona. Das relações humanas só nos interessa aquilo que, direta ou indiretamente nos coloque em vantagem. Que nos de algo de positivo. Não existe altruísmo de verdade, toda relação é feita de trocas de interesses, mesmo que esse interesse seja só o bem estar causado pela sensação de doação, desse elan rotulado de altruísmo.
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